Sobre humanos, ou pensamentos lúcidos enquanto tirei fotos na Caminhada de Lésbicas e Bissexuais

Aviso aos amigos leitores: o que virá a seguir está cheio de visões, experiências e fatos recheados de opiniões particulares. 🙂

No ônibus, indo para São Paulo com meu namorado, me peguei pensando aleatoriamente em como começaria esse texto.
Devido a alguns acontecimentos, questionamentos e reviravoltas nos últimos tempos, normalmente eu me pego pensando o como somos todos iguais e passamos pelas mesmas coisas. Pode até soar clichê – principalmente falando isso nesse relato da Caminhada – mas ao mesmo tempo é algo que quase nunca pensamos, e agimos sempre com preconceito ao próximo, independente de sua origem.

Para alguns, como eu, a sensação de chegar num local com tantas pessoas juntas pode ser um tanto desconfortável. O fato de aglomerações sempre me deixou sem fala, perturbada ou isolada. Não sei se seria isso algum tipo de agorafobia ou qualquer outro tipo de problema. Muitos possuem esse problema relacionado ao preconceito ao próximo, como citei acima.
O que não exclui eu, você ou qualquer outro desse fato. O ser humano é por si só um grande paradigma: mesmo que se diga limpo de preconceitos, há sempre um que o assola.

O que eu realmente quero com isso? Fundamentar o preconceito e suas atitudes desprezíveis?
Talvez. Eu não tenho todas as respostas do mundo, e nem sou a pessoa mais certa pra falar disso. No máximo, posso me basear por uma situação aqui da minha casa. Posso partir do principio de que o preconceito surge do desconhecido, da falta de conhecimento, da falta de experiência sobre determinado assunto. É como você dizer que odeia um lugar só porque ouve falar que ele é ruim, ou porque você simplesmente tem medo do que pode considerar (de positivo ou de negativo) sobre ele.

Ontem, eu pisei na minha agorafobia e fui pra rua. Vi muita gente, revi gente querida, andei por (quase) toda a Paulista e tirei muitas fotos. Vi pais, vi mães, vi filhos, vi PESSOAS: que pagam contas, que sofrem, que têm cólica, que têm sono, que têm raiva, que ficam doentes, que amam… Que têm direitos e deveres. Que são tão humanas quanto eu ou quanto você.
E eu não falo somente de quem participou da passeata: falo das pessoas nas ruas que olhavam ao longe, que pediam esmolas pelos cantos, dos policiais que trabalharam para garantir a ordem, da que vos fala e que ainda tem os pés doloridos. 🙂

Um pouco antes da parada chegar ao fim, todos passamos pelo MASP. Cansada, voltei e resolvi ver uma exposição que me chamou atenção: “6 milliards d’autres” (6 milhões de outros), que vai até o dia 10 de julho.

Recordo de, antes de adentrar o subsolo, ter comentado com o meu namorado o assunto que citei posteriormente nesse texto. Refletimos sobre o que passamos durante a tarde e conversamos algo sobre uma “tentativa de justificativa” para a homofobia, ou pelo menos a racionalização dos preconceitos humanos num geral.

Enquanto o aguardava pegar o café, li um pouco do folder da exposição e entendi que uma parte da resposta dessa reflexão toda estava lá; à uma sala de distância de mim: Tudo relacionado a esse assunto tem origem nas diferenças e semelhanças entre os povos e os traços de personalidade que caracterizam cada cidadão do planeta. A exposição é totalmente ilustrada pelas diferenças de fisionomia, acessórios e visões sobre a vida em uma série de assuntos diferentes.

Citando o criador da exposição, Yann Arthus-Bertrand: “Você precisa de talento para ver o que está à frente, essa obra de arte que é nosso planeta, beleza que poucos conseguem enxergar”. Quem nunca lutar contra seus próprios preconceitos e pelos próprios direitos, nunca será um artista para realmente ver as facetas de um ser humano.

Viva sempre o máximo que puder.
Respeite sempre as escolhas, afinidades, preferências, sejam suas ou do próximo. Respeito sempre é e sempre será a palavra-chave para um bom relacionamento e bom entendimento de opiniões, até mesmo as conflitantes.

Nunca tenha medo de ser o que você é.

A 9ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo aconteceu nesse Sábado, dia 25 de Junho, e contou com cerca de 800 participantes.

O tema central foi “Liberdade, Saúde e Autonomia, Conquistar Direitos todo dia!”.
Foram feitos protestos para o fim do preconceito: contra a lesbofobia, transfobia, bifobia, homofobia, contra a violência, o racismo e o machismo, a legalização do aborto e a aprovação da PLC 122/06, que visa criminalizar a discriminação motivada unicamente na orientação sexual ou na identidade de gênero da pessoa discriminada.

Programação 9ª CAMINHADA LÉSBICA-FEMINISTA (25/06 – Sábado)
Via evento do Facebook

  • 12h – Concentração – Praça Osvaldo Cruz, início da Av. Paulista
  • 14h – 9ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo
  • 16h – Shows

Nas picaps
Ale Marcely (Residente da Festa Valentina)

Links para saber mais:

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