Piquenique do Bi-Sides no dia 22 de junho: como foi

No domingo, dia 22 de junho, o Bi-Sides promoveu um piquenique no Parque Ibirapuera, para aproximar mais pessoas do grupo e promover a socialização entre pessoas bi, que muitas vezes escondem sua bissexualidade ou evitam falar sobre ela, em um mundo que ainda é cheio de gente (homo e heterossexual) bifóbica.

Contamos com a ilustre presença de uma das administradoras da página Bissexualidade da Depressão. Percebemos a necessidade de divulgar melhor os eventos, pois se até ela, que está sempre ligada nos acontecimentos ligados à bissexualidade, só ficou sabendo do piquenique uma semana antes, é porque não nos focamos o suficiente na divulgação. Outra mancada que demos foi divulgar os detalhes como ponto de encontro só no evento do Facebook, sem nos atentar que tem pessoas que não usam essa rede social e só ficaram sabendo do piquenique pelo blog. Ou seja, maior contato com outrxs ativistas bi e maior atenção ao blog são lições que ficam para as próximas atividades.

O encontro foi muito legal, e é muito gratificante ver pessoas que estavam indo pela primeira vez, pessoas que nem estão no grupo do Facebook ou que comentam pouco por lá, mas se interessaram o suficiente pra comparecer. Falamos sobre bifobia internalizada, invisibilidade bi, bifobia por parte de mulheres lésbicas e todos os preconceitos ligados á palavra “bissexual”. E, claro, falamos besteira, porque ninguém é de ferro e militância sem alegria não faz bem pra alma.

Surgiram ideias pra comemoração do 23 de setembro (dia da visibilidade bi) e a ideia de um vlog permanente (logo vamos começar a chamar candidatxs, mas se alguém se interessar já pode se manifestar aí nos comentários).

Esperamos que todo mundo tenha se divertido e que esse seja o primeiro de muitos encontros nessa nova fase do Bi-Sides!

Comentários

9 thoughts on “Piquenique do Bi-Sides no dia 22 de junho: como foi”

  1. Foi a primeira vez que li o termo “bifobico”….o termo “fobia” significa medo.
    Quando penso em alguém BI, e tendo como referência os Bis que conheço ( e não são poucos ), de fato tenho medo.
    Eu mesmo, já me relacionei com pessoas BIs, e sempre foi uma tragédia. A grande maioria que eu conheço que se dizem Bi, gostam de ficar em um vai e vem, de uma pessoa pra outra, usando tal “pretexto”.
    Se eu me relacionaria novamente com alguém Bi? Não!
    Respeito e muito! Afinal, sou gay. Mas se ser bifobico é não querer estar com um cara que daqui um tempo vai dizer que tem a necessidade de tbm estar com uma mulher, então eu sou. Se ser bifóbico é não curtir esse troca troca que geralmente (veja bem, não é sempre, mas geralmente), acontece, então eu sou.
    De qualquer forma, parabéns pelo site.

    1. Oi, Rubens, tudo bem?

      Vou te responder dando algumas opiniões e informações porque apesar de creer que você está esquivocado em alguns pontos, você foi educado e sincero, não simplesmente vomitou bifobia aqui como se nada.

      Primeiramente, como você disse que é a primeira vez que le bifobia, acho legal aproveitar que conheceu o termo novo e dar uma (boa) pesquisada e ver exatamente o que significa para entender melhor o que implica chamar alguém de bifóbico. Mas te adianto algo por aqui com realação a teu comentário:

      Sendo gay você com certeza é familiar com o significado de homofobia e as implicações de se chamar alguém de homofóbico, e por tanto deve saber que o sufixo fobia embora signifique medo, não dá à homofobia o simples significado de medo de homossexuais, é bem mais complexo que isso. O mesmo com bifobia, o termo não deve ser interpretado apenas à luz de suas raízes gregas, deve ser assim como a homofobia analizado a partir do que a sociedade, o movimento homossexual e as teorias dizem a respeito.

      Bifobia é o conjunto de crenças e atitudes com relação às pessoas que se identificam como bissexuais, às pessoas que incorrem em práticas bissexuais e a todo tema da bissexualidade no geral que são negativas, reforçam discurso de ódio, apagam, silenciam e de uma forma ou de outra, violentam as pessoas bissexuais (seja por auto-identificação, desejo ou prática).

      Isso dito, espero que entenda que seu medo está talvez um pouco deslocado, pode ter base ou pode ter como consequência bifobia, mas teu medo EM SI, é algo bastante pessoal teu, para além do fundo social onde está. Você teve relacionamentos com pessoas bi, não sei quantas, mas algumas. Essas pessoas não quiseram ou não puderam ter um relacionamento estável contigo e agora você sente que essa pode ser uma característica definitória de pessoas bissexuais ou, talvez, uma caracterítica associada à maioria deles (como se poderia interpretar pelo teu “geralmente”). As pessoas bi com quem você ficou e que foram uma tragédia, somadas às pessoas bi que você conhece não são, independente do número que seja, uma boa base para generalizar sobre bissexuais, existem muites no Brasil e no mundo. Em todo caso você pode considerar que a alta incidência na sua amostra indica algo.

      Acredito que todas as pessoas bi que vc conhece sejam assim. Quero te contar agora algo sobre minha vida: conheço muita gente hétero, muita mesmo, das que conheço intimamente, 9 de 10 já foram infiéis e muitas das que conheço bem o fizeram de forma reiterada, quase como um estilo de vida. Posso com isso calcular que hetero são infiéis. Só que tem um problema aqui. A definição de hétero é “atração afetivo/sexual por pessoas do sexo oposto” e nessa definição não emtra se a pessoa é fiel ou não, promíscua ou não etc. Essa diferença vale para homossexuais, creio que concordamos nisso. Agora, seguindo a mesma lógica, como parece justo seguir, a bissexualidade tão pouco é definida em termos de capacidade de ser monogamico(a) ou não, o que significa que não há uma relação causal auto-evidente e totalmente suficiente entre orientação e conduta. Espero que isso tenha ficado claro.

      Com relação a você ser bifóbico ou não… bom, por um lado reproduzir discurso bifóbico é bifobia e dá pra te enquadrar aí, como, por exemplo alguém que diz que não é homofóbico mas faz piada homofóbica só pela piada. tá reproduzindo discurso homofóbico, e reproduzir discurso homofóbico é homofobia. Bem, espero que isso também esteja claro. Agora, por outro lado, ninguém é obrigade a ficar nem desejar ninguém, não posso te dizer que vc TEM que ficar com bi senão vou te chamar de bifóbico, n é assim que funciona, mesmo que analisando se possa dizer que pelo menos parte da tua não vontade venha de alguma crença bifóbica. Se parece que estou em cima do muro com relação a te acusar ou não é porque essa questão é discutível e uma pessoa que incorre em UMA ideia baseada bifobia não é igual a uma que tá toda montada na bifobia de ponta a ponta e nos odeia e quer nos exterminar.

      Outra coisa é o comentário dizendo que você respeita, afinal é gay. Te acredito vendo respeito, você ser gay não significa nada, pode inclusive ser homofóbico. Muito ataque bifóbico que recebemos vem de homossexuais, e apesar de não ser o pior inimigo, não se justifica a bifobia só porque vem de um grupo oprimido, e te conto que rola bastante viu. Enfim, você fica com quem você bem entender, tem bi fiel sim e tem bi infiel e fdp também e tem também bi que simplesmente não faz relacionamento monogâmico, é poliamoroso e não acredita nisso de exclusividade. E tudo isso vale para homossexuais (tem os que casam e são fiéis e os que param quietos). Tem bi que vai estar com uma mulher depois de ti ou capaz que ao mesmo tempo (me recuso a dizer trocar, gente n é roupa) e tem gay que vai estar com outro cara depois de ti ou ao mesmo tempo, tem DE TUDO.

      É isso, espero que tenha ficado claro. De verdade te convido a se informar mais a respeito, ler aqui no blog e fora e se abrir pra algumas idéias novas, no mais, agradeço o comentário, a visita os elogios etc.

      Aquele abraço

    2. Boa tarde, Rubens. Assim como a Daniela, também sou uma das colaboradoras do Bi-Sides e escrevo no blog. Como ela já falou muito mais sobre o assunto do que eu, só gostaria de dizer que não basta apenas dizer “Respeito e muito”.

      Você veio a um blog de um grupo bissexual, voltado a uma parcela muito discriminada e invisibilizada na sociedade, simplesmente pra dizer que tem “medo” de nós. Esse era o lugar certo pra isso? Vale a pena expor uma opinião bifóbica, do tipo que a gente ouve todos os dias, em um blog que é destinado a oferecer comunidade e conforto a pessoas bissexuais?

    3. Semana passada, no lane7amento do livro A TV no arme1rio de Irineu Ramos na Livraria Cultura, tive a ouidtpnorade de conversar com um jovem que estava participando da solidificae7e3o do E-sampa (regional do grande E-Jovem) e presenciei na pele o quanto o Movimento LGBT ainda ne3o este1 bem-informado e0 respeito da bissexualidade. O garoto me disse que ne3o acreditava na bissexualidade e que este tema era controverso nos die1logos das reunif5es deles (que este3o se reunindo no Casare3o Brasil). Fiquei desolado em ver que aquela era a posie7e3o de algue9m inserido no Movimento, que teoricamente deveria estar despido dessas noe7f5es fraudulentas e pequenas sobre a sexualidade como algo fixo, redgido e dividido entre he9teros e homos.Para piorar, no mesmo dia foi lane7ada na lista do ForumPaulistaLGBT uma mate9ria no qual consta a seguinte afirmae7e3o do Le9o Mendes, da ABGLT: Segundo Mendes, ningue9m deixa de ser homossexual. Quem muda e9 o bissexual, que estava vivendo a homossexualidade e passou a viver a heterossexualidade Constatei e contestei a construe7e3o dfabia da declarae7e3o de Le9o no ff3rum, e fui recebido com o sileancio da invisibilidade.Sim, je1 e9 hora.Atenciosamente,Alex Tso.

  2. Hum, deixe-me ver, então pela lógica do Rubens, eu também prefiro NÃO me relacionar com homens heteros e em geral pq a maioria é machista, e eu como bi, optei por me relacionar aapenas com mulheres, pq me sinto mais segura e minha comunicação com elas é melhor. Direito de livre escolha. Então eu epsero que ninguém venha me dize que foi “só por uma decepção com homem” (sic) que passei a me relacionar com mulheres, afinal eu SEMPRE senti tesão por elas, só não havia aflorado e desenvolvido sentimentos, pq se homossexuaias tem o pleno direito de ficar entre si por medo de se decepcionar com bissexuais, eu pela mesma lógica tenho direito de não querer me relacionar e me apegar a homens, pois também não sou obrigada 😉 .

    1. Pois é Dany eu até pensei em comparar com esses casos, mas não fiz porque embora a analogia seja válida, são coisas muito diferente chamar bi de instável e homem de machista. O machisto existe é qualificável quantificável e tem consequências extremas, mesmo conhecendo só cara legal a gente sabe que homens são machistas, conhecer alguns machistas e pensar que todos são não é usar uma mostra pequena pra generalizar, é um conhecimento que temos a priori, o mundo nos dá.
      Instabilidade de bi em relacionamentos já é algo que vem muito mais de achismos e de uma idéia de que monogamia é um único modelo válido, isso é perfeitamente questionável, não tanto quanto o fato de o machismo ser um sistema opressor. Além disso a mostra n serve para generalizar e se perde muito ao se comparar com estatísticas envolvendo um número maior de pessoas, como uma pesquisa, acho que de 2009 (ou 2010 n lembro agora) feita na parada LGBT de SP na qual as pessoas bissexuais tinha em média masi tempo que qualquer outro grupo dentro de relações estáveis.

      Agora, obrigada ce não é mesmo, nem o Rubens, nisso não tem discussão. Mas ce acha mesmo que são IGUAIS o medo de machismo de homem e o medo de infedelidade bi?

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