Relato sobre a Conferência Livre de Saúde: Mulheres LBT

Em 16 de junho de 2017, ocorreu a Conferência Livre de Saúde: Mulheres LBT (Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Conferências são eventos nos quais a sociedade opina sobre políticas públicas em uma determinada área (saúde, educação, segurança pública, etc). Elas tem etapas municipais, nas quais são eleitas pessoas para comparecerem às etapas de seu Estado, e na conferência estadual são eleitas pessoas para comparecer à conferência nacional sobre o tema. Estas pessoas são chamadas de delegadas.

Conferências Livres são instrumentos de participação que funcionam nos moldes de uma conferência, porém não elegem pessoas para serem delegadas. Porém o que se discute nelas é enviado como documento de apoio para a Conferência Nacional, e são momentos importantes de discussão da sociedade sobre políticas públicas. Normalmente, são feitas para falar de algum tema específico ligado ao tema da Conferência.

Na Conferência de Saúde das Mulheres, há uma novidade: a Comissão Organizadora da Conferência selecionará 75 participantes das Conferências Livres em todo o Brasil para participar da etapa nacional, sem direito a voto, porém com direito a voz. Natasha Avital, do Bi-Sides, participou da Conferência Livre, levando as pautas específicas das mulheres bissexuais, principalmente a necessidade de formação sobre bissexualidade para profissionais da Psicologia e Psiquiatria, tendo em vista a prevalência da bifobia nessa área, não sendo incomum que pessoas bissexuais recebam diagnósticos errados de transtornos de saúde mental, ou tenham sua bissexualidade vista como sintoma do transtorno mental que tem.

Também apontou a necessidade de formação para profissionais da Ginecologia, já que o monossexismo faz com que sejamos invisibilizadas. Quando relatamos relações sexuais com homens, presume-se que estes homens são cisgêneros (ou seja, não são trans) e tem pênis, que somos monogâmicas, heterossexuais, e não temos necessidade de informações sobre sexo com mulheres cisgêneras nem outras pessoas que tem vagina. Quando relatamos relações sexuais com mulheres, ou presume-se que elas são cisgêneras, que somos lésbicas e monogâmicas e não precisamos de informações sobre sexo com homens cisgêneros nem outras pessoas com pênis, ou esse fato é ignorado e somos tratadas como heterossexuais, sem receber informações sobre sexo com mulheres cis, e passando pelo sofrimento de estarmos nos tratando com alguém que ignora o que temos a dizer sobre nós mesmas. Isso sem contar as vezes em que nem temos coragem de dizer que somos bi, já que tememos ser tratadas com desprezo, hostilidade ou mesmo com fetichização e assédio.

Esperamos que Natasha seja chamada para a Conferência Nacional, levando as pautas das mulheres bissexuais à esfera nacional e que, mesmo nesse momento político tão difícil, tal oportunidade sirva ao menos para lembrar às ativistas e gestoras lá presentes que existimos e resistimos.

Comentários